O clima ficou tenso dentro do Partido Novo após declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, contra o senador Flávio Bolsonaro. Segundo informações divulgadas pela coluna de Lauro Jardim, lideranças da sigla realizaram uma reunião de emergência por videoconferência para discutir a repercussão do caso e os impactos políticos da crise.

Zema participou do encontro diretamente de São Paulo, onde esteve reunido com empresários e investidores ligados ao mercado financeiro. Durante a conversa interna, integrantes da ala mais conservadora do partido cobraram coerência do ex-governador em relação ao discurso de unidade da direita para as eleições de 2026.

De acordo com interlocutores, a reunião teve momentos de forte tensão e troca de críticas duras entre os participantes. Um dos nomes mais incisivos teria sido o advogado Jeffrey Chiquini, que chegou a afirmar que a postura adotada por Zema acabaria favorecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de Chiquini, participaram do encontro nomes importantes do Novo, como Marcel van Hattem, Deltan Dallagnol, Guilherme Kilter, Adriano Silva, Luiz Lima e o presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro.

A crise começou após Zema criticar publicamente o relacionamento entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O ex-governador chegou a classificar como “imperdoável” um áudio envolvendo o senador. Em seguida, afirmou que o tema era “página virada”, mas voltou a atacar a situação durante fala a investidores, quando declarou estar “indignado” com a relação do parlamentar com um “banqueiro bandido”.

Nos bastidores, lideranças do Novo demonstram preocupação com os reflexos da crise nas alianças eleitorais firmadas com o Partido Liberal em diversos estados. A avaliação interna é que o embate pode aumentar o desgaste entre grupos da direita em um momento considerado estratégico para a oposição ao governo federal.