A temporada de reprodução das baleias-jubarte em Abrolhos, no sul da Bahia, terminou mais cedo em 2026 e teve uma proporção menor de filhotes entre os animais observados. O Instituto Baleia Jubarte registrou filhotes em 3,35% da população avistada até setembro, abaixo da média histórica de 9,98% desde 2014.
Em 11 cruzeiros científicos ao arquipélago, pesquisadores contabilizaram 431 baleias, das quais 42 eram filhotes. O levantamento mais amplo da população brasileira, feito por sobrevoo entre São Paulo e o Rio Grande do Norte, ainda está em andamento.
O diretor de pesquisas do Instituto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, disse à Agência Brasil que o aquecimento global é uma hipótese para a queda. Mudanças na disponibilidade de krill, alimento essencial das jubartes nas áreas de alimentação da Antártida, podem afetar a fertilidade e a gestação. A causa ainda não foi comprovada.
Com menos filhotes, as mães permanecem por menos tempo na costa para amamentar e prepará-los para a migração de volta às águas frias. A temporada costuma começar em junho, atingir o pico entre julho e outubro e se estender até novembro.
Até o levantamento divulgado nesta segunda-feira (2), foram registrados 59 encalhes de jubartes no país, ante 78 no mesmo período do ano passado. O instituto informou que os casos deste ano não chegaram a um pico, embora tenha observado mais encalhes de animais juvenis no Sul.