O prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, afirmou que o município não tem condições financeiras de bancar a oferta do Mounjaro pelo SUS municipal. A declaração ocorre após proposta apresentada na Câmara defender a disponibilização do medicamento na rede pública.
O Mounjaro ganhou destaque nacional por seu uso no tratamento de diabetes tipo 2 e também por efeitos associados à perda de peso. O alto custo, porém, é o principal obstáculo para inclusão em políticas públicas municipais sem fonte específica de financiamento.
A discussão coloca em confronto duas preocupações legítimas: de um lado, a busca por acesso a tratamentos modernos; de outro, a necessidade de manter equilíbrio no orçamento da saúde, que já precisa cobrir consultas, exames, medicamentos básicos, unidades e serviços de urgência.
Zé Ronaldo argumenta que uma medida desse porte não pode ser decidida apenas pelo desejo de ampliar o acesso. Para virar política pública, seria necessário avaliar impacto financeiro, público-alvo, critérios clínicos, protocolo médico e disponibilidade permanente do medicamento.
Na prática, a oferta de remédios de alto custo costuma depender de pactuação entre diferentes esferas de governo, avaliação técnica e incorporação em protocolos oficiais. Sem essa estrutura, municípios podem assumir despesas difíceis de sustentar ao longo do tempo.
A proposta também reacende o debate sobre judicialização e pressão por novos medicamentos no SUS. Pacientes que não conseguem acesso por vias administrativas frequentemente recorrem à Justiça, o que pode desorganizar o planejamento financeiro das secretarias de saúde.
O tema deve continuar em debate na Câmara e na gestão municipal. Para avançar, a discussão precisará sair do campo político e passar por avaliação técnica sobre custo, eficácia, segurança, critérios de prescrição e capacidade real de financiamento.