A Câmara Municipal de Salvador (CMS) pagou R$ 16.967.856,67 por serviços de tecnologia da informação entre janeiro e agosto de 2026. No mesmo período, as despesas com a agência de publicidade W4 Comunicação & Marketing chegaram a R$ 5.261.586,16. Os dados foram detalhados em reportagens do A TARDE. Até quarta-feira (29), a CMS e o presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), não haviam se manifestado publicamente sobre os questionamentos.
Na área de tecnologia, a Sudoeste Informática e Consultoria recebeu R$ 9,8 milhões nos oito primeiros meses do ano. Desse total, R$ 9,26 milhões estão relacionados ao desenvolvimento, à manutenção e ao treinamento da plataforma Maker All. Servidores efetivos ouvidos na apuração relataram computadores lentos, quedas de rede, falhas em programas e demora para consertar equipamentos.
Os pagamentos registrados correspondem a despesas efetivamente realizadas, não ao valor total dos contratos. Os relatos de falhas levantam dúvidas sobre a execução e a fiscalização dos serviços. Documentos como relatórios de execução, termos de aceite técnico, inventário de equipamentos e registros de manutenção podem demonstrar quais entregas foram feitas e aprovadas.
Na publicidade, R$ 2.902.902,20 — mais da metade do valor pago à W4 até agosto — foram concentrados em julho e agosto, período de convenções partidárias e início da campanha eleitoral. A agência recebeu R$ 2.358.683,96 de janeiro a junho. A CMS também tem contrato com a agência Ideia 3, que recebeu R$ 137.469,98 no período, conforme os dados publicados.
A apuração também registrou doações à campanha de Carlos Muniz Filho, eleito deputado federal, feitas por pessoas com nomes iguais aos de dois servidores da Câmara. Uma delas tem o mesmo nome da chefe de gabinete da Presidência, apontada como fiscal do contrato da W4. A coincidência dos nomes ainda precisa ser confirmada e não estabelece, por si só, a identidade dos doadores.
A Câmara, Carlos Muniz, as empresas e os servidores citados foram procurados pela reportagem do A TARDE. Até 29 de outubro, não havia manifestação pública da CMS nem do presidente sobre os questionamentos. Entre os esclarecimentos pendentes estão a documentação das entregas de tecnologia, os critérios de fiscalização dos contratos e os comprovantes das campanhas publicitárias veiculadas.