A lembrança das antigas viagens de marinete ou motriz entre Feira de Santana e Salvador voltou ao debate em publicação do Jornal Grande Bahia neste domingo. O tema parece nostálgico, mas ajuda a explicar uma mudança profunda na vida de quem depende da ligação entre o interior e a capital.
Antes da consolidação da BR-324 como eixo central de deslocamento, viajar entre as duas cidades era uma experiência mais lenta, sujeita a improvisos, desconforto e maior dependência das condições das estradas. A rota conectava famílias, comércio, serviços de saúde, estudos e oportunidades de trabalho.
A modernização da mobilidade alterou também a economia regional. Feira de Santana se fortaleceu como entroncamento rodoviário, enquanto Salvador passou a receber com mais frequência fluxos de pessoas e mercadorias vindos do interior.
Essa memória importa porque infraestrutura não é apenas obra física. Rodovias, terminais e sistemas de transporte definem quanto tempo o cidadão perde, quanto custa produzir e como cidades se aproximam ou se afastam umas das outras.
O desafio atual é não olhar para a BR-324 apenas como símbolo de progresso passado. A rodovia continua exigindo manutenção, segurança, fiscalização e planejamento para dar conta do volume de veículos e da importância econômica que carrega.
Ao recuperar essa história, a discussão sobre mobilidade baiana ganha perspectiva: o que hoje parece rotina foi, durante décadas, uma travessia difícil para milhares de passageiros.